quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Definição de Música
Anunciado o lançamento da II Feira Música Brasil
Evento será realizado em março do próximo ano, no Recife, e reunirá toda a cadeia produtiva do setor no país
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, participou nesta quarta-feira, 5 de novembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília, do lançamento oficial da segunda edição da Feira Música Brasil (FMB), evento que será realizado entre 11 e 15 de março de 2009, em Recife, com o apoio do Ministério da Cultura, por meio do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (Prodec).
Em seu pronunciamento, o ministro Juca Ferreira destacou a importância da FMB para o mercado musical brasileiro, como uma grande oportunidade de trazer divisas para o Brasil. Também considerou que a iniciativa pode vir a se tornar um dos mais importantes eventos do gênero no mundo.
“A gente está trabalhando aqui com um produto excepcionalmente bom e esse desarranjo da indústria não pode servir de pretexto para que nós percamos o fio da meada. Pelo contrário, é uma oportunidade para alavancar novos modelos de negócios. Penso que é através do diálogo que podemos construir esses novos caminhos”, afirmou o ministro Juca Ferreira.
Em relação a outros festivais, a Feira Música Brasil apresenta como diferencial a possibilidade de reunir todo o setor - gravadoras, produtores de festivais, editoras de música, músicos e empresários -, enquanto o público assiste às apresentações artísticas. “A Feira é mais que um festival, é um modelo que articula toda cadeia produtiva”, disse o secretário de Cultura do Recife, João Roberto Peixe.
II Feira Música Brasil
Promovido por um conjunto de entidades representativas do setor musical - Associação Brasileira dos Empresários de Artistas (Abeart), Associação Brasileira dos Editores de Música (ABEM), Associação Brasileira de Editoras Reunidas (ABER), Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD), Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), Associação Brasileira de Rádios Públicas (Arpub) e Fórum Nacional dos Músicos - o evento também conta com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A Feira foi idealizada para ser setorial, ou seja, com abrangente representatividade da área e da cadeia produtiva da música, explicou Carlos de Andrade, integrante do conselho diretor da ABMI. “Nesse sentido, tornou-se imperativo que trouxéssemos para o evento os principais participantes dessa cadeia. Hoje, podemos integrar todas as associações fonográficas, indo desde as Câmaras Setoriais até a que representa as grandes gravadoras multinacionais.”
Enquanto era realizado o anúncio do lançamento da II Feira Música Brasil, nomes como Tico Santa Cruz, vocalista da Banda Detonautas, Beth Carvalho, Jorge Mautner e o grupo Móveis Coloniais de Acaju demonstravam o interesse quanto aos rumos e as novidades preparadas para o evento. A expectativa dos organizadores da FMB é de que a segunda edição supere os números da anterior, realizada em 2007, trazendo novas ações e implementos importantes para o setor musical.
Informações: www.feiramusicabrasil.com.br.
(Marcos Agostinho, Comunicação Social/MinC)
Mercado musical pode chegar a fase intermediária de recomposição
da Folha de S.Paulo, no Rio
Além da funda crise econômica e de credibilidade, a indústria brasileira do disco vive também um nítido período de transição. Fora raras exceções, ninguém mais vende as cifras espantosas que caracterizaram a bolha de consumo dos anos 90, primeiro por causa da popularização dos aparelhos de CD, no governo Collor, depois pela relativa estabilidade adquirida com o Plano Real, de FHC.
Pelo lado perverso, esses acontecimentos atiçaram as gravadoras a se tornarem vorazes -perdidas na névoa do lucro fácil, transformaram axé music, pagode e música sertaneja em hegemonia, sucateando cruelmente seus catálogos e acervos.
Como "gravadora número 1", a Universal se tornou também a primeira colocada na barbárie. Teve pouco pagode, mas amplificou o sertanejo e o axé ao limite da náusea e da repetição absoluta. Ao primeiro sinal de desgaste, deslanchou uma calamitosa avalanche de discos ao vivo.
Esses se tornaram coletâneas disfarçadas (e muitas vezes pessimamente gravadas), que se juntaram às pavorosas séries de compilações que foram desmontando e retalhando, uma a uma, as obras dos grandes, médios e pequenos valores históricos da MPB.
O que não perceberam é que, na soma dessas práticas todas, estavam as próprias gravadoras oficiais criando o sistema de corrosão que depois seria maximizado e conhecido como pirataria.
A explosão dessa, principalmente a partir de 2001, foi em grande medida antecipada pelas próprias gravadoras, que habituaram o consumidor à compilação barata, à falta de informação, à padronização sonora, à regravação sem rigor de músicas sempre repetidas. Era, explicitamente ou não, um projeto de deseducação e de sucateamento cultural.
É por isso que hoje, quando a crise empurra a Universal a anunciar um ambiciosíssimo projeto de recomposição, se chega finalmente a um tão necessário momento de transição para a reelaboração de identidade cultural.
Mesmo que toda a bela e descomunal promessa da Universal seja cumprida, muita coisa ficará faltando. Mas ao menos estará em curso um projeto de reeducação, de devolução ao país de sua própria memória musical. EMI, Sony e Som Livre (BMG e Warner já vêm sendo ativas nesse cenário) precisam seguir o exemplo, urgentemente. Cumprida essa etapa intermediária, quem sabe então o caminho esteja novamente aberto ao que interessa: a boa formação dos artistas jovens, a busca pela nova música popular brasileira, seu reencontro com a própria identidade por enquanto perdida e desorientada.
